Ave Cristo

Ave, Cristo!” é o título de um romance psicografado por Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier), ditado pelo espírito Emmanuel e publicado em 1953 pela Federação Espírita Brasileira (FEB).

   

O livro

A obra conta a história de Quinto Varro e Taciano, espíritos ligados por várias reencarnações, que se reencontram no século III do Cristianismo, no Império Romano. Emmanuel descreve com detalhes a vida da época e a jornada de crescimento moral e espiritual dos personagens, destacando o serviço desinteressado, a fé inabalável, o martírio e o amor fraterno dos primeiros cristãos.

A saudação que dá nome ao livro aparece no prefácio (e é repetida no contexto da narrativa):

“Ave, Cristo! os que aspiram à glória de servir em teu nome te glorificam e saúdam!”

Ela expressa reconhecimento, respeito e o desejo de servir ao exemplo de Jesus, não como adoração a um deus encarnado, mas como aspiração à elevação moral e ao trabalho em Seu nome.

Visão espírita de Cristo

No Espiritismo (codificado por Allan Kardec), Jesus é:

  • O modelo e guia mais perfeito que Deus ofereceu à humanidade na Terra (questão 625 de O Livro dos Espíritos).
  • Um Espírito de elevadíssima pureza, animado pelo Espírito Divino, cuja doutrina expressa a lei de Deus de forma mais pura.
  • Não o próprio Deus nem a segunda pessoa de uma Trindade (o Espiritismo rejeita o dogma da divindade de Cristo nesse sentido trinitário), mas o maior exemplo de perfeição moral a que o ser humano pode aspirar.

O Espiritismo se apresenta como a terceira revelação (depois de Moisés e de Jesus), que esclarece e completa os ensinamentos do Evangelho à luz das leis espirituais (reencarnação, pluralidade dos mundos, comunicação com os Espíritos etc.). O Evangelho segundo o Espiritismo e obras complementares (como os romances de Emmanuel) reforçam que o essencial é viver o amor, a caridade, a reforma íntima e o serviço ao próximo.

Em resumo, “Ave, Cristo!” na visão espírita é tanto o título de uma obra que ilustra o Cristianismo primitivo sob a ótica reencarnacionista quanto uma saudação de reconhecimento e compromisso com o exemplo de Jesus como modelo de elevação espiritual.